Sé do Funchal
A edificação desta Igreja iniciou-se
por volta de 1500, tendo como obreiros principais o Mestre Pedreiro
Gil Enes e o Mestre de carpintaria Pero Annes.
Logo em 1514, com a elevação do
Funchal a sede de bispado, a igreja ainda em construção,
foi elevada a Sé. Todavia, as obras prolongar-se-iam pelos
séculos XVI, XVII, XVIII e XIX.
As características arquitectónicas
inserem este edificio no âmbito da denominada " arquitectura
manuelina ", típica do reinado de D. Manuel I (finais
do século XV/ meados do século XVI).
Os elementos decorativos próprios deste
estilo, girando entre os motivos marítimos, os motivos
vegetalístas e a heráldica real, tornam-no numa
manifestação particular no âmbito das diferentes
vertentes do gótico tardio europeu.
Representando uma encruzilhada de influências,
o estilo manuelino integra igualmente elementos característicos
da arquitectura de cariz mourisco, a qual detinha uma importância
significativa na vizinha Espanha, onde a influência das
técnicas construtivas e das artes decorativas dos tempos
da presença árabe na Peninsula Ibérica, representava
um estilo conhecido como mudejar.
Herdeiros e perpetuadores destas tradições,
os artesões mudejar constituem um exemplo da integração
de populações de origem moura no mundo cristão,
onde as artes decorativas de origem árabe ou norte africana,
surgem doravante adaptadas à ornamentação
de edificios cristãos, nomeadamente as Igrejas.
Paralelamente, estas artes e técnicas construtivas passam
igualmente a ser conhecidas por artesãos cristãos.
O monumento, classificado desde 1910, teve ao
longo dos anos intervenções, levadas a cabo por
artistas excepcionais: mestres de pintura, de talha, douradoures,
prateiros, entalhadores, escultores e mestres de azulejaria.
A partir de 1940, foram efectuadas pela DGEMN
várias intervenções neste Monumento. O estado
de conservação da Sé, melhorou consideravelmente
após as recomendações da Comissão
Cientifica da WMFPortugal, que consistiam na instalação
de um novo sistema de drenagem e calhas apropriadas nos terraços
da Sé.
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