História da Torre de Belém
Inicialmente foi uma fortaleza militar imponente
e emblema de prestígio real. É possível verificar
em toda a edificação a grandiosidade do tempo em
que Portugal era o país pioneiro na Aventura Marítima.
A epopeia dos Descobrimentos trouxe ao Mundo
diferentes e inovadoras perspectivas de relacionamento entre gentes
e nações, através de um melhor conhecimento
do Homem, do Planeta e das consequentes relações
à escala mundial.
Lisboa era no momento uma cidade culturalmente
multifacetada, dirigida e vocacionada para o mar e as trocas comerciais,
representando na época o culminar de um processo histórico
que, envolvendo raças e povos distintos, vem dar lugar
a essa individualidade e especificidade tão notoriamente
portuguesas.
Situada a alguns quilómetros do centro
de Lisboa, a Torre de Belém foi construída no local
onde o rio se alarga para o estuário, e a sua estrutura
assente sobre um afloramento de basalto, rocha resistente e impermeável.
Destinada a proteger a cidade de Lisboa, que
era uma das mais ricas e cosmopolitas do Mundo de então,
e a Barra do Tejo, que ao tempo desfrutava de uma intensa actividade
por via do importante comércio marítimo, foi também
utilizada como prisão, cárcere político dos
que se opuseram à ocupação espanhola.
Construída no reinado de D. Manuel I,
faz parte integrante de um plano idealizado e estudado ao tempo
de D. João II.
De facto criou-se um sistema integrado e tripartido
de defesa marítima, que consistia na construção
de três fortalezas:
- uma na baía de Cascais;
- na Caparica, a de São Sebastião ou, como habitualmente
é designada, Torre Velha;
- na margem direita, a Fortaleza do Restelo, mais tarde conhecida
por Torre de Belém devido à praia do mesmo nome.
As três fortalezas eram complementadas
pelo cruzamento de fogo de pequenas caravelas artilhadas com peças
de calibre apreciável e que executavam tiro de ricochete,
técnica inédita até à altura, tal
como o que então se passa com o advento da artilharia pirobalística,
em que a estratégia e táctica militares sofrem profundas
alterações e modificações que vão
revolucionar os conceitos da arquitectura militar.
A forma arquitectónica da Torre foi influenciada
pelo surgir desta nova artilharia que requeria muralhas mais fortes
e sugeria o desenvolvimento de um baluarte poligonal.
D. Manuel I continuou o plano defensivo iniciado
pelo seu antecessor, mandando erguer a Torre de São Vicente
a par da de Belém, cujo nome é uma homenagem ao
patrono de Lisboa, continuando-se o plano de defesa com o seu
sucessor D. João III e a edificação de uma
fortaleza em São Julião da Barra.
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